O que o futuro não substitui

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Por estes dias, anda tudo doido com a tecnologia. Toda a gente quer saber o que o há de novo, quais as grandes evoluções, e perceber, no fundo, o que daqui a meia dúzia de anos vai ser diferente no nosso dia-a-dia e na forma como experienciámos o mundo. Até há robots a dar entrevistas, como prova última de que os chips e o fios coloridos vão dominar-nos em breve.

Eu não ligo a essas coisas das tecnologias. Não sou desse tempo. Para mim, uma plataforma online que conta os caracteres dos textos é sinónimo último de evolução. Não confio nos GPS’s porque são máquinas, e, como tal, são limitados. Carrego na tecla do caps lock de cada vez que quero escrever uma letra maiúscula, e achei que era normal, até que há uns dias me disseram que “és a única pessoa que conheço que faz isso assim”. Acho que o que me denuncia e me torna actual é acreditar que tudo o que há para saber está no Google, ainda que escreva “Google” na barra de endereço que, segundo também me explicaram, já faz parte do motor de busca.

Vimos coisas surreais, impensáveis há sombra de 20, 10 ou mesmo 5 anos. Tudo tem mudado. Está tão diferente. Mas, há algo que a tecnologia, por mais que avance, não consegue substituir ou mesmo mitigar.

As relações entre as pessoas, que agora muito de fomentam com a internet e tudo o que ela oferece, são incapazes de sobreviver e de crescer sem um pele na pele, um olho no olho, uma presença física.

Aparentemente, nada pode sobrepor-se à presença física de alguém. Nada pode imitar o som da voz dela, o cheiro da roupa, a forma de andar e as dobras do sorriso de alguém. É preciso, é essencial, para que duas pessoas se possam relacionar. Caso contrário, quem se conhece e se namora por uma janela de computador poderia fazê-lo para sempre, sem estar frente a frente na vida real. Casava-se online. Mandava vir filhos da Amazon. Ou era por cápsula. Acredito que daqui a umas décadas seja tudo por cápsulas.

E é mais difícil ter uma relação verdadeira do que no mundo virtual, onde podemos ser o que queremos. É preciso ter coragem para tornar tudo real e para amar. Para isso é preciso estar presente, para que tudo se desenrole em tempo real, sem ecrãs. Quero acreditar que o amor nunca poderá ser obtido em troca de bitcoins.

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